Caros amigos...uma reflexão!
Este ano fomos informados por uma missiva, un tanto ou quanto impessoal, em versão electrónica, genero mail mal amanhado, de que mais uma vez não fomos escolhidos para essa manifestação de cariz colectivo dizem uns, e apenas feira de vaidades, afirmam outros, e que dá pelo nome de FATAL.
Bom, nada a que a organização desse evento já não nos tenha habituado. No entanto, em função desta nova "nega", e já lá vão três, há algumas questões que um grupo, que há mais de dezassete anos ocupa um lugar de destaque no panorama do teatro universitário da capital, não pode deixar de levantar.
1 . Quais são os critérios da organização na escolha dos grupos de teatro universitário que participam ou não nesse festival?
2. Quem é que decide e que competências possui na avaliação desses mesmos grupos? São actores? Encenadores? Dramaturgos? Cenógrafos? Profissionais ou amadores? E quem os escolhe a eles?
3. Como é que se avalia a qualidade, ou falta dela, de um projecto teatral universitário, se é isso que se procura, num visionamento de um ensaio de dez minutos? Foi o que o Sr. Rui Teigão, representando a organização do FATAL, e a pedido dele, fez na nossa sala três semanas antes de estrearmos. Ou seja, quando todo o nosso trabalho ainda estava por concretizar de facto. Já agora é de notar que nem o sr. Rui Teigão, e outros membros da organização, responderam sequer ao convite que a nossa produção lhes remeteu para estarem presentes na estreia da nossa peça. Se calhar como ela dura mais do que dez minutos...enfim! Seja como for ficava-lhes bem ter respondido, não acham?
4. Não conhecendo os princípios e a filosofia deste evento, achamos que apesar de tudo ele pretende juntar, num mesmo patamar, o da colectividade que representa, a academia, todos aqueles, que de forma cabal, detêm um estatuto artistico de qualidade no âmbito do teatro universitário português. Desculpem-nos a nossa falta de modéstia, mas nós fazemos parte desse leque de criadores! Se nos tivessem dado oportunidade, mais do que os tais "dez minutos", facilmente teriam percebido isso. E não nos referimos apenas ao sr. Rui Teigão. Aliás, a comprovar este raciocínio, temos as listas de espera das nossas folhas de bilheteira que estão esgotadas nas três próximas semanas. Sim nós, ao contrário de "alguns" outros, temos um público fiel e que cresce de ano para ano. Não esgotamos apenas e só no FATAL, como infelizmente acontece com os tais "alguns" outros. Não, o nosso inserimento na faculdade a que pertencemos e fora dela é hoje uma realidade que nos orgulha. Temos relatórios de êxitos de bilheteira, dossiês de imprensa, etc., para facultar aos que duvidam desta realidade.
Seja como for, este não é um lamento. Pretendemos apenas perceber porque é que, mais uma vez, a organização do FATAL não nos explicou as razões que estiveram por detrás da nossa exclusão. Uma mensagem electrónica impessoal, e uma "visita" a correr de dez minutos são no mínimo factores de algum pretensiosismo que não nos merece qualquer espécie de respeito. Sim, porque nós respeitamos a academia e todos os que nela, como nós, realizam um trabalho meritório na sua divulgação.
Este nosso questionamento assenta no direito que temos de perguntar porque é que o FATAL, que é organizado por uma entidade que todos suportamos com propinas e impostos, a Reitoria, nos exclui sem nos explicar o porquê ou porquês dessa atitude.
É um facto que nós vivemos à margem deste evento, e desculpem-nos o atrevimento, não precisamos dele para nada. Mas quando alguém nos pede para ver, nem que seja num minuto, o que estamos a fazer na nossa "casa", e depois tece um juízo de valor pretensioso e absolutamente infundado sobre o que viu, apetece-nos dizer, como uma das personagens da peça que está agora em cena: Vai à merda!
ARTEC